Comunidade Surda participa de Tribuna Popular em alusão ao Dia Nacional dos Surdos

Espaço promovido pela Câmara Municipal de Imperatriz discutiu inclusão, acessibilidade, educação bilíngue, direitos trabalhistas e valorização da Libras

A Câmara Municipal de Imperatriz realizou, na manhã desta quarta-feira (30), uma Tribuna Popular em alusão ao Dia Nacional dos Surdos, celebrado em 26 de setembro. O espaço contou com a participação de representantes da comunidade surda de Imperatriz e região e teve como objetivo proporcionar um momento de escuta ativa, representatividade e visibilidade para as demandas da população surda.

Outro objetivo da Tribuna Popular foi dar visibilidade e continuidade à proposta de valorização da data celebrada nacionalmente. Nesse sentido, o espaço possibilitou a discussão de temas relacionados à inclusão, acessibilidade, valorização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e garantia de políticas públicas voltadas às pessoas surdas.

Representando a Escola Bilíngue, participaram as professoras Beatriz Elizama e Bianca Letícia, além do aluno da Educação de Jovens e Adultos (EJA), Márcio Araújo, e da gestora da escola bilíngue, Elisandra Lima.

Direitos, trabalho e acessibilidade

A professora da Escola Bilíngue, Beatriz Elizama, discursou sobre os direitos trabalhistas e a importância da comunicação em Língua Brasileira de Sinais. Ela destacou que as pessoas surdas possuem plena capacidade para exercer atividades profissionais, mas defendeu a necessidade de ampliar as oportunidades de trabalho e garantir vagas que contem com intérpretes de Libras.

Beatriz também ressaltou a importância de uma educação inclusiva, com professores capacitados, e de um mercado de trabalho que possibilite o acesso das pessoas surdas tanto ao setor privado quanto ao serviço público.

Entre os mecanismos de inserção, a professora destacou que provas de concursos públicos e entrevistas de emprego podem contar com vídeos e outros recursos que possibilitem a participação das pessoas surdas, além da presença de intérpretes de Libras nesses contextos.

Ela também ressaltou que, embora a população surda esteja inserida no meio social, ainda é necessário ampliar as condições para que essas pessoas compreendam e participem plenamente dos diferentes espaços, fortalecendo a autonomia da comunidade surda no município.

Educação bilíngue e inclusão

A professora da Escola Bilíngue, Bianca Letícia, utilizou o espaço da Tribuna Popular para destacar o reconhecimento da legislação que assegura a Língua Brasileira de Sinais e garante o direito à aprendizagem. Ela ressaltou a existência de crianças que ainda estão fora do ambiente escolar e que precisam ter acesso à educação e aos espaços sociais para construir sua identidade e ampliar sua participação na sociedade.

“Nós devemos refletir quantas crianças estão fora das escolas e que precisam estar buscando e se desenvolvendo. Nós não podemos tomar essas decisões por elas no sentido de trazer uma educação bilíngue, mas elas precisam ter essa oportunidade de conhecer”, explicou.

No mesmo sentido, o aluno da Educação de Jovens e Adultos (EJA), Márcio Araújo, lembrou os desafios relacionados ao aprendizado. Inicialmente, ele destacou que as dificuldades e barreiras sociais contribuíram para sua evasão escolar, mas afirmou que, diante do acesso e da inclusão oferecidos atualmente, pôde retomar os estudos em um ambiente propício à inserção social.

“Eu me sinto feliz neste espaço e futuramente eu desejo me tornar um professor da escola bilíngue para surdos. Nós precisamos de educação de qualidade para nos desenvolvermos”, afirmou.

  • 30/09/2026
  • Departamento de Comunicação Social
  • Wallisson Santos