Tribuna Popular debate valorização dos cuidadores do município
O Sindicato dos Cuidadores públicos e privados do município, juntamente com a classe de servidores, esteve presente na Câmara Municipal de Imperatriz, na manhã desta quinta-feira (19), para discutir indicações ao Poder Executivo voltadas à valorização salarial e profissional dos trabalhadores. Além disso, a tribuna abordou melhorias nas condições de trabalho e o combate ao assédio moral, ampliando o debate para assegurar os direitos da categoria.
A presidente do sindicato dos cuidadores, Celyjane Batista, utilizou a tribuna destacando o avanço das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência e neurodivergentes, o que gerou a necessidade da criação desses profissionais de apoio na educação. Ela lembrou que a Lei Brasileira de Inclusão já reconhece a função dos cuidadores e ressaltou que suas atribuições vão desde cuidados básicos, como alimentação e higiene, até o apoio no ambiente escolar, sem substituir o papel do professor. Segundo ela, por se tratar de uma profissão recente, ainda carece de regulamentação, o que reforça a necessidade de valorização com apoio do parlamento.
“Nós queremos o apoio de todos, porque nosso salário ainda está muito baixo”, afirmou.
A vice-presidente do sindicato e neuropsicopedagoga, Poliana Matos, destacou a importância da formação dos profissionais. Segundo ela, com experiência de quase dez anos na área, é fundamental que os cuidadores estejam preparados para lidar com diferentes condições e necessidades dos alunos.
“Os cuidadores precisam entender o que é um transtorno, quais medicamentos são utilizados e todo o contexto do cuidado. O profissional precisa estar inserido no ambiente acadêmico junto aos professores e familiares, inclusive para evitar a evasão escolar”, alertou.
Ela também ressaltou que a rotatividade desses profissionais prejudica diretamente os alunos, que acabam criando vínculos afetivos que são interrompidos com frequência. Durante a tribuna, a cuidadora Kezya chamou atenção para a desvalorização enfrentada pela categoria, destacando a sobrecarga de trabalho e a falta de condições adequadas.
“Há uma cuidadora para vários alunos. Não temos condições de trabalho. Sofremos perseguição, há profissionais com burnout, e precisamos de redução da carga horária. São muitas crianças atípicas para poucos profissionais”, relatou.
A cuidadora ainda ressaltou que atua na função há 11 anos sem avanços significativos na valorização salarial, permanecendo com remuneração mínima. Ela também destacou a insegurança enfrentada pela categoria em razão de processos licitatórios, que geram instabilidade no vínculo empregatício.
“Esperamos que os senhores estejam sensíveis à nossa causa”, declarou.
Ela também destacou que muitos profissionais estão deixando a função devido à baixa remuneração e às dificuldades enfrentadas no dia a dia. Representando os pais de crianças atípicas, Cássio de Albuquerque destacou a necessidade de ampliação do quadro de cuidadores e melhores condições nas escolas, incluindo acessibilidade.
“A falta de informação é uma das principais causas. Muitas vezes, os pais não sabem como lidar com os cuidadores. Por isso, pedimos melhores condições de trabalho e salário, porque precisamos desses profissionais”, afirmou.
A psicóloga Ana Célia também utilizou a tribuna para reforçar a importância do cuidado com a saúde emocional dos profissionais, destacando o papel do sindicato no apoio à categoria.
“O nosso trabalho é dar suporte aos profissionais, porque acompanhamos de perto as frustrações e dificuldades enfrentadas no dia a dia”, explicou.
Os vereadores também se manifestaram durante a tribuna. O vereador Fidelis Uchôa (Agir) demonstrou preocupação com a situação da categoria e defendeu a ampliação do debate. O vereador Francisco Messias (PDT) ressaltou que as conquistas dos trabalhadores são fruto de mobilização e luta coletiva.
Propositor da tribuna, o presidente da Câmara, vereador Adhemar Freitas Jr (MDB), destacou a importância dos cuidadores no contexto educacional e social, defendendo a ampliação das discussões também em nível federal.
“Aqueles que têm uma criança atípica sabem das dificuldades do período escolar. Os cuidadores se desdobram para fazer o melhor. Vocês são o porto seguro de muitas famílias, e isso precisa ser reconhecido pela sociedade”, concluiu.



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